O que é a Certificação de Entidade Formadora da FPF?

Mais do que a atribuição de estrelas, a certificação de entidade formadora da FPF ajuda os clubes a melhorar o seu processo de formação de atletas.

De forma a melhorar a qualidade da formação de jogadores de futebol e futsal em Portugal, a Certificação de Entidade Formadora da FPF, tem como principal objetivo “distinguir as entidades de formação, de futebol e futsal para jovens até 19 anos, de acordo com o nível de qualidade do processo formativo”.

Ainda que muitos dos clubes desportivos não façam questão de ser reconhecidos pelo número de estrelas, o processo de certificação é bastante importante para os clubes. Este, visa uma melhor organização quer do processo formativo quer dos processos internos dos vários clubes, impactando não só no trabalho diário como também na imagem que é transmitida para o exterior.

Neste sentido, este artigo surge com o principal objetivo de demonstrar a todos os clubes os diversos critérios do processo de certificação de entidade formadora da FPF bem como o impacto que este tem quer para os clubes quer para os jovens atletas e famílias.

Critérios do Processo de Certificação de Entidade Formadora da FPF

O processo de avaliação para a obtenção da Certificação de Entidades Formadoras da FPF pressupõe 9 critérios:

1. Planeamento e Orçamento

O objetivo de uma entidade formadora, qualquer que seja a sua área, deve ser a melhoria contínua e a qualidade do serviço prestado, orientados por uma visão a longo prazo. Neste sentido, é essencial que cada entidade formadora defina a sua visão, missão e plano estratégico, com o objetivo de estabelecer as linhas orientadoras de todo o trabalho a realizar pelos clubes.

Esta informação tem bastante importância, pois garante que quer a estrutura do clube quer os vários escalões e modalidades, estão alinhados com os mesmos objetivos.

2. Estrutura Organizacional

Sendo que a entidade formadora integra uma organização (clube ou sociedade desportiva), será necessário evidenciar o seu posicionamento. Assim, a existência de um Organograma e de um Regulamento Interno tornam-se fundamentais, para que todos os intervenientes de um clube desportivo, desde órgãos administrativos até aos pais e atletas tenham conhecimento das pessoas responsáveis por cada área, bem como os principais objetivos e normas estipulados para o bom funcionamento e contínua melhoria do trabalho diário executado.

3. Recrutamento

A formação de jovens jogadores passa por duas etapas cruciais: o seu recrutamento e/ou angariação e a sua formação desportiva. 

Tendo em conta que se está a lidar com jovens, na sua grande maioria menores de idade, é imprescindível que os clubes estejam preparados e dotados das ferramentas necessárias para receber e prestar apoio a todas as crianças e jovens, inclusive atletas deslocados, sejam estrangeiros ou nacionais.

Posto isto, para além dos procedimentos legais no recrutamento de recursos humanos habilitados para lidar com os mais jovens, os clubes devem ainda garantir que cumprem com os termos legais no que toca a crianças e jovens, em especial os menores de idade e/ou estrangeiros.

4. Formação Desportiva

Sendo o principal objetivo de um clube desportivo a formação de atletas é fundamental que existam linhas orientadores ao longo do processo formativo.

Assim, para cada um dos escalões de formação, é importante que seja estabelecido um dossier com as linhas orientadores referentes tanto às metodologias de treinos, jogos e formação a aplicar aos jovens. Assim como às ferramentas utilizadas para o seu planeamento, implementação e controlo.

5. Acompanhamento Médico-Desportivo

A fase de formação desportiva coincide com o principal estágio de desenvolvimento e crescimento das crianças e jovens, pelo que é necessário um acompanhamento contínuo quer na prevenção quer na resolução de possíveis lesões que possam afetar o futuro dos atletas.

Para além dos exames médico-desportivos obrigatórios para todos os atletas federados, a entidade deve garantir o acesso a exames complementares e um correto acompanhamento médico-desportivo a todos os jovens durante a época.

6. Formação Pessoal e Social

Para além da formação desportiva, os clubes têm um papel bastante importante na formação do atleta, nomeadamente no que toca aos aspetos sociais e pessoais por isso, o processo de certificação  exige que os clubes disponham de uma estratégia planeada relativamente à carreira dual. 

Torna-se crucial que cada entidade disponha de um tutor responsável pelo acompanhamento escolar dos jovens e pela criação de um calendário de formações dirigidas tanto a atletas como a pais e treinadores. Estas ações permitem que os pilares da formação dos jovens estejam envolvidos em todo o processo e adquiram as ferramentas necessárias para prestarem um apoio mais eficaz a todos os atletas.

7. Recursos Humanos

Garantir a qualificação de todos os recursos humanos envolvidos é importante não só para a evolução contínua dos atletas como também para que os pais se sintam mais confiantes nas pessoas que acompanham os seus filhos. Por outro lado, para os próprios clubes, a garantia de que os seus jovens atletas têm uma formação adequada pode tornar-se um fator de diferenciação e de reconhecimento.

8. Instalações e Logística

Para que os clubes desempenhem as suas funções, e para que os atletas tenham acesso à melhor formação possível, é necessário que existam condições logísticas e instalações adequadas à prossecução das atividades de formação desportiva. Nomeadamente em termos de campos para treinos/jogos, balneários, gabinetes médicos, salas para formações/reuniões, acesso a ginásio do clube ou parceria, transporte, entre outras condições.

9. Produtividade

Sendo o objectivo de um clube desportivo a formação de atletas, a sua capacidade de levar os atletas aos escalões mais elevados da modalidade é não só um fator de diferenciação como também um trabalho fundamental.

O critério de produtividade visa garantir que os clubes dispõem das ferramentas necessárias para avaliar tanto os resultados desportivos, como a progressão dos atletas, garantindo desta forma que a missão da entidade formadora está a ser cumprida e em constante melhoria.

Importância da candidatura ao processo de Certificação de Entidade Formadora da FPF

Mais do que a atribuição de estrelas, a certificação de entidade formadora ajuda os clubes a melhorarem os seus objetivos e a garantirem uma formação adequada, certificada e contínua a todos os jovens.

A melhoria dos processos internos e o acesso à certificação de entidade formadora pode ser custosa e/ou consumir muito tempo. Contudo, o Software EMJOGO para além de ser uma solução de gestão e comunicação que facilita o trabalho dentro dos vários departamentos de um clube, também ajuda na organização da informação necessária para a certificação. Tornando todo o processo de certificação de entidade formadora um trabalho colaborativo entre os departamentos.

Alguns clubes estão resistentes a dar início a este processo por não satisfazerem todos os requisitos. No entanto, é crucial que submetam a auto-avaliação uma vez que, com a ajuda de associações espalhadas pelo país, cada critério pode ser trabalhado durante a época desportiva. Caso contrário ficam fora do processo de certificação este ano e não serão reconhecidos como entidade formadora em 2020/21.

O processo de auto-avaliação para a certificação de entidade formadora da FPF está aberto até 31 de outubro.

 

Submeta já a candidatura do seu clube!

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Formada em Marketing, a Jessica junta a paixão pelo desporto, em especial o futebol, ao gosto pela escrita. A sua missão? Trazer as melhores práticas no marketing e ajudar os clubes desportivos a melhorar as suas relações externas.